Webnário lembra importância do acesso à informação para garantir saúde de adolescentes na pandemia

Realizado por meio de parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a segunda edição do webinário “Tá no Rumo: Traçando Caminhos” discutiu na semana passada (9) com adolescentes e profissionais de saúde e educação o tema “Namoro na pandemia”.

Na ocasião, os participantes reforçaram a importância do acesso de adolescentes à informação sobre COVID-19 e saúde sexual e reprodutiva, assim como das medidas de distanciamento social e dos cuidados de prevenção.

Assis Gabriel Pastorini criou esat ilustração especialmente para o encontro “Tá no Rumo: Traçando Caminhos”, colocando foco na presença de mulheres negras na atividade. (Ilustração: Assis Gabriel Pastorini)

A segunda edição do webinário “Tá no Rumo: Traçando Caminhos” ocorreu na semana passada (9), tendo como foco o tema “Namoro na Pandemia”.

O evento realizado pelo projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, em parceria com o Fundo de População da Nações Unidas (UNFPA), teve a participação de adolescentes e profissionais da área da saúde e educação.

Os participantes discutiram as formas com as quais a pandemia e seus impactos socioeconômicos têm mudado a dinâmica de relacionamentos entre adolescentes.

Na ocasião, a orientadora social Edilaine Souza, que é estudante de Pedagogia, enfatizou a importância do acesso dos adolescentes à informação sobre saúde sexual e reprodutiva.

“Na minha experiência, quando estamos na adolescência alguns pais costumam sentar, explicar questões relacionadas às transformações que passamos. Mas a gente sabe que existe no contexto geral uma falta de informação e de acesso. E, quando falamos de prevenção, uma grande parte da população fica vulnerável”, ressaltou.

Outra participante do evento foi a ginecologista Giani Cezimbra, que trabalha há 15 anos com adolescentes e é mestre em Ciências Médicas com enfoque em saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e violência sexual.

“Na adolescência, percebemos diferentes modelos de relacionamentos, pois essa fase é um momento de autoconhecimento e de conhecimento do outro. Isso se reflete nos relacionamentos variados que eles experimentam. Mas isso não pode acontecer durante a pandemia. A exposição é grande, seja em relacionamentos estáveis ou não, o ideal é que não se beije na boca nesse período, por exemplo, porque é a via de maior transmissão”, lembrou.

Foto: UNFPA

Esta é uma das preocupações do adolescente Assis Gabriel Pastorini, também presente no encontro. “Desde que começou a pandemia, eu não saí de casa para ver ninguém. Então, tem sido bem complicado.”

Para continuar se comunicando, o adolescente resolveu intensificar sua produção artística. Estudante e ilustrador, Gabriel criou uma obra especialmente para o encontro online, destacando a presença de mulheres negras. “A minha arte ainda é a maneira como posso estar presente em vários lugares”, afirmou.

A coordenadora local do projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, Cintia Cruz, lembrou que o racismo intensifica os efeitos negativos da pandemia sobre a população negra.

“A cada dez meninas que engravidam no Brasil, sete são negras. Quando a gente pensa o contexto do isolamento são várias as questões, dentre elas está o contexto da violência doméstica, onde as meninas negras são a grande maioria nesses números.”

Cintia Cruz lembrou que “o racismo implica uma série estereótipos sociais para invisibilizar corpos negros desde a infância”. “E a nossa tarefa é abordar esse racismo estrutural para que a gente aprenda enquanto pais, educadores e educadoras não reproduzir essas situações e mudar essa realidade.”

Para a adolescente Gyulia Alves Ferreira dos Santos, integrante do movimento negro, mestre de cerimônia, rapper (MC) e trancista, a pandemia está gerando vários sentimentos, como a ansiedade.

“Tenho tentado viver essa experiência com calma, porque a ansiedade não leva a lugar nenhum. E ficar dentro de casa tem sido muito difícil pra mim, parece que estou numa bolha, só que ao mesmo tempo eu respeito para poder cuidar da minha família”, disse.

“A solidão da mulher negra é muito real, ainda mais durante a pandemia. Nós temos um histórico de falta de acesso para lapidar um pensamento de autocuidado.”

A mediação do webinário foi feita por Anna Cunha, oficial de saúde reprodutiva e direitos do UNFPA.