Projeto de resolução sobre soberania do Estado da Palestina não é aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU

Oito dos 15 membros do Conselho votaram a favor, um a menos entre os nove requeridos para passar uma resolução caso nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – apresentasse seu veto.

A votação aconteceu no Conselho de Segurança sobre o rascunho da resolução para lidar com a soberania palestina. Foto: ONU/Evan Schneider

A votação aconteceu no Conselho de Segurança sobre o rascunho da resolução para lidar com a soberania palestina. Foto: ONU/Evan Schneider

Sem contar com o número necessário de votos positivos o Conselho de Segurança das Nações Unidas não adotou nesta terça-feira (30) o rascunho da resolução afirmando a “necessidade urgente” de alcançar, nos próximos 12 meses, uma solução pacífica para a situação no Oriente Médio. O rascunho da resolução também estabelecia a criação um Estado palestino, com Jerusalém Oriental como sua capital.

O rascunho também determinava vários parâmetros para a solução do conflito, com um ano de prazo para as negociações com Israel e “uma retirada gradual e total das forças israelenses” da Cisjordânia até 2017. Também solicitava a inclusão da Palestina como um Estado-membro da ONU, com plenos direitos dentro do período de 12 meses.

Oito dos 15 membros do Conselho votaram a favor, um a menos entre os nove requeridos para passar uma resolução caso nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – apresentasse seu veto.

A representante permanente dos Estados Unidos para a ONU, Samantha Power, ao explicar o voto negativo de seu país, disse que  credita que há outras maneiras de apoiar de forma construtiva as partes implicadas para alcançar um acordo negociado e que este rascunho estabelecia “mais divisão, não compromisso”.

Cinco membros do Conselho se abstiveram de votar, incluindo o Reino Unido. Justificando seu voto, seu representante, Mark Lyall Grant, afirmou que apoiava grande parte do conteúdo, mas estava desapontado com a falta de negociação.

Para o observador permanente para o Estado da Palestina, Riyad Mansour, “o Conselho de Segurança falhou novamente em defender os deveres da sua Carta”, afirmando que as negociações se encontravam em um impasse político por causa da “intransigência israelense”.

Por sua parte, o representante de Israel reiterou que os palestinos tiveram todas as oportunidades para negociar, porém, além de se recusarem a participar do processo, apresentaram uma “proposta absurda, unilateral”.

Os demais membros permanentes e não permanentes que votaram a favor da resolução lamentaram o fracasso do Conselho. O representante do Chade, Mahamat Zene Cherif, atual presidente do Conselho, disse que o rascunho era “equilibrado e moderado” e que o Conselho havia “perdido outra vez uma data histórica”, enviando uma mensagem negativa que encorajava a ocupação, a injustiça e a opressão.