Ação digital da ONU Mulheres no Brasil visa colocar negras no centro da Agenda 2030

Na Semana da Consciência Negra, a ONU Mulheres e o Movimento de Mulheres Negras promovem uma ação digital nas redes sociais com o objetivo de colocar as afrodescendentes no centro das ações da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A iniciativa se integra às ações da ONU Mulheres na campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que acontece até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Na Semana da Consciência Negra, a ONU Mulheres e o Movimento de Mulheres Negras promovem uma ação digital com o objetivo de colocar as afrodescendentes no centro das ações da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A iniciativa, que se concentra nos perfis da ONU Mulheres nas redes sociais Facebook, Twitter e Instagram, faz parte da estratégia de comunicação “Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030”, lançada em março de 2017 pela agência da ONU no contexto da Década Internacional de Afrodescendentes 2015–2024.

Segundo a ONU Mulheres, o objetivo é construir elementos para cumprir com o princípio preconizado na Agenda 2030 de “não deixar ninguém para trás”, focando nas populações em situação de maior vulnerabilidade.

A ação se integra à campanha da ONU Mulheres dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que ocorre até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A intenção da iniciativa é mostrar o alinhamento entre as necessidades apontadas pelo movimento de mulheres negras brasileiras e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no que se refere ao enfrentamento do racismo e do sexismo e a promoção da igualdade de gênero e raça, assumidos como compromissos pelo Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021, firmado entre a ONU Brasil e o governo brasileiro.

“Com a estratégia de comunicação e advocacy político Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030, a ONU Mulheres tem buscado mobilizar parcerias para o enfrentamento racismo e pela igualdade de gênero, garantindo que as afro-brasileiras avancem na conquista de direitos nos esforços globais até 2030”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Fazem parte do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 as seguintes organizações: Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Agentes da Pastoral Negra (APNs), Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU), Negras Jovens Feministas e integrantes negras do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres (GASC).

#16Dias

A ação digital também inaugura a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, revelando alguns dos impactos das situações de violências estruturantes vividas pelas afro-brasileiras.

Durante esta semana, os conteúdos serão publicados nas páginas oficiais da ONU Mulheres no Facebook, Twitter e Instagram e compartilhados pelas entidades que compõe o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 e público em geral. A campanha tem o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.

Violência do racismo e do sexismo

As afro-brasileiras são 25% da população do país, somando 55,4 milhões de mulheres e meninas. Elas são a maioria da população feminina em situação de pobreza, recebem em média 40,9%, da remuneração dos homens brancos, de acordo com os dados mais recentes do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça.

Elas também são as principais vítimas de violações contra seus corpos e convivem com as alarmantes taxas de assassinato. Essas situações são resultado da intersecção da violência do racismo e do sexismo na vida dessas mulheres. As soluções para esses problemas estão elencadas entre as prioridades dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), para que nenhuma delas fique para trás no caminho para um mundo melhor em 2030.

Mulheres negras e a Agenda 2030

Os países-membros das Nações Unidas adotaram, em 2015, a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, composta por 17 objetivos globais (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS), sob o compromisso e o lema de “Não deixar ninguém para trás”.

Entre as metas, o ODS número 5 concentra as ações voltadas para igualdade de gênero, mas outros 12 também incluem questões relacionadas às mulheres. Por sua vez, a ONU Mulheres lançou a iniciativa global “Por um Planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, com o propósito de que todas e todos (mulheres, homens, sociedade civil, governos, empresas, universidades e mídia) trabalhem de maneira determinada, concreta e sistemática para eliminar as desigualdades de gênero.

Para enfrentar as barreiras do racismo e do machismo e em reconhecimento à necessidade de ações específicas para a efetiva inserção das mulheres negras no desenvolvimento sustentável, a ONU Mulheres Brasil adotou a estratégia “Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030”.

A iniciativa responde ao Plano de Ação da Década Internacional de Afrodescendentes 2015–2024, e tem o objetivo de destacar a atuação política das afro-brasileiras, ao longo dos anos, apoiando a solução de questões como a baixa representação política, garantia dos direitos econômicos e sociais, combate à violência e promoção do bem viver.


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