Ação de solidariedade atende mais de 400 pedidos de assistência alimentar e medicamentos no Brasil

A estratégia Voluntariado pelas Américas atendeu de abril a junho mais de 400 pedidos de assistência alimentar, atendimento psicológico e envio de medicamentos no Brasil.

A iniciativa foi lançada pelo Movimento Latino-Americano e do Caribe de Mulheres Positivas (MLCM+), sendo coordenada no Brasil pelo Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP).

Até o fim do mês passado, tinham sido atendidos 90% (418) dos 465 pedidos recebidos por meio de campanhas de mobilização realizadas principalmente nas redes sociais. As ações são apoiadas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

A iniciativa de voluntariado é coordenada no Brasil pelo Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). Foto: UNAIDS

A iniciativa de voluntariado é coordenada no Brasil pelo Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). Foto: UNAIDS

A estratégia Voluntariado pelas Américas atendeu de abril a junho mais de 400 pedidos de assistência alimentar, atendimento psicológico e envio de medicamentos no Brasil.

A iniciativa foi lançada pelo Movimento Latino-Americano e do Caribe de Mulheres Positivas (MLCM+), sendo coordenada no Brasil pelo Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP).

Até o fim do mês passado, tinham sido atendidos 90% (418) dos 465 pedidos recebidos por meio de campanhas de mobilização realizadas principalmente nas redes sociais.

No Brasil, do total de pedidos recebidos neste período, quase 76% foram para assistência alimentar, cerca de 15% para apoio psicológico e pouco mais de 6% por medicamentos.

Jacqueline Cortes, coordenadora-executiva do projeto no país, explica que a campanha irá divulgar o perfil completo das pessoas atendidas no final de seu ciclo, em meados de setembro.

“Em geral, as pessoas que buscaram ajuda estavam precisando comer, entre elas pessoas pobres, pessoas vivendo com HIV e que não tinham trabalho formal e dependiam da informalidade, não conseguiram continuar trabalhando durante a pandemia”, explica.

“Há muitos homens, mas as mulheres são maioria, e a maioria delas está angustiada. Ou seja, os casos vão muito além da falta de alimentos, muitas demonstram necessidade de serem ouvidas, mesmo que o pedido não tenha sido especificamente de apoio psicológico.”

“Elas têm medo de pegar a doença e de não ter um leito no hospital. Algumas têm até a ideação suicida por não terem conseguido resolver sua questão com a sorologia positiva para o HIV.”

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) apoia a iniciativa por meio de sua divulgação e da mobilização de recursos e parcerias entre as agências da ONU que formam o programa.

Também apoia por meio da capacitação de voluntários para oferecer ajuda psicológica e emocional às pessoas cadastradas.

Segundo informações compartilhadas pelo MNCP, até 30 de junho, o projeto já capacitou quase 100 voluntários, dos quais cerca de 60 continuam na ativa.

“Entre as pessoas que solicitam ajuda, existe uma parcela significativa que não participa de movimentos sociais, e que nunca participou. É grande o número daquelas que nem sabem da existência destes movimentos como o MNCP e outras redes de pessoas vivendo com HIV”, conta Cortes.

“Isso demonstra que não estamos acessando apenas ativistas e que algumas delas desconhecem seus direitos.”

“A pesquisa feita pelo UNAIDS no final de março com pessoas vivendo com HIV no Brasil mostrou claramente que uma parcela significativa delas já tinha necessidade de alimentos e insumos básicos de proteção, higiene e limpeza”, conta Cleiton Euzébio de Lima, diretor interino do UNAIDS no Brasil.

“Outro ponto que apareceu de forma evidente foi a necessidade de apoio psicológico, completando os principais eixos de atuação do projeto que conta com nosso apoio desde o início.”

Para Cortes, o movimento de solidariedade tem ensinado que a vulnerabilidade diante da pandemia abriu espaço para a colaboração.

“Esta iniciativa tem fortalecido de maneira importante os movimentos de mulheres positivas tanto no Brasil quanto na região, trazendo um impulso e uma visibilidade para a nossa capacidade de entrega dos pedidos e serviços.”

“Tem sido um grande aprendizado, especialmente para nós, da equipe, que trabalhamos juntas há muito tempo. As lições das conexões com os movimentos de AIDS também vão ficar marcadas par sempre”, diz a ativista, mulher trans que vive com HIV.

No Brasil, o MNCP buscou mapear uma rede de amigos e amigas da campanha, construindo uma matriz com cerca de 60 apoiadores entre instituições, iniciativas, projetos não governamentais da sociedade civil, programas de governos locais, iniciativas religiosas, pastorais, grupos de LGBTI – em geral, iniciativas que trabalham com questões como distribuição de cestas básicas, apoio psicológico e reposição de medicamentos antirretrovirais.

A expectativa é de que a Voluntariado pelas América abra mais chamadas para recebimento de pedidos antes da conclusão da fase atual projeto, em 28 de agosto.

Quatro chamadas já foram feitas desde o lançamento no Brasil. Segundo Cortes, os trabalhos internos da iniciativa continuam até 18 de setembro, quando o grupo espera apresentar uma balanço quantitativo e qualitativo, acompanhado de uma avaliação das ações e de seus impactos.