Ação de Israel contra flotilha em Gaza foi “claramente ilegal”, afirma Conselho de Direitos Humanos

Forças israelenses violaram os direitos humanos e o direito humanitário internacional durante o incidente de 31 de maio passado envolvendo um comboio de navios contendo ajuda internacional com destino a Gaza, concluiu a Missão de Inquérito Independente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. “Conduta do pessoal militar israelense com os passageiros abordo do navio não foi apenas desproporcional para a ocasião”, demonstrando “um nível inaceitável de brutalidade”.

Ação contra flotilha foi “claramente ilegal”, afirma Conselho de Direitos Humanos (foto).As forças israelenses violaram os direitos humanos e o direito humanitário internacional durante o incidente de 31 de maio passado envolvendo um comboio de navios contendo ajuda internacional com destino a Gaza, concluiu a Missão de Inquérito Independente do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

No relatório de 56 páginas, a Missão de Inquérito – que é diferente do Painel de quatro membros nomeado pelo Secretário-Geral da ONU para investigar o mesmo incidente – considerou que a ação da Forças de Defesa Israelenses (IDF), ao interceptar um dos navios, o Mavi Marmara, em alto-mar, foi “claramente ilegal”.

O documento afirma que “a conduta do pessoal militar israelense com os passageiros abordo do navio não foi apenas desproporcional para a ocasião, mas demonstrara níveis de violência totalmente desnecessários e incríveis”. Mostraria ainda “um nível inaceitável de brutalidade”, continua o relatório. “Tal conduta não pode ser justificada ou tolerada devido à segurança ou por qualquer outra razão. É uma grave violação dos direitos humanos e o direito humanitário internacional”, conclui.

O relatório, que acaba de ser divulgado, pode ser acessado na íntegra aqui.

Ele apresenta uma descrição factual dos acontecimentos que conduziram à intercepção de cada um dos seis navios na frota, bem como um sétimo navio interceptado no dia 6 de junho.

A Missão, presidida pelo juiz K. Hudson-Phillips, ex-juiz do Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, entrevistou mais de 100 testemunhas em Genebra, Londres, Istambul e Amã, durante seu trabalho.

Nove civis perderam suas vidas e vários outros ficaram gravemente feridos no incidente contra a pequena frota que partiu da Turquia e estava tentando entregar ajuda humanitária para Gaza, que tem sido objeto de um bloqueio israelense desde 2007.