Abusos de governos contra os meios de comunicação ‘são uma crise global’, diz relator da ONU

Por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, observado na quarta-feira (3), o relator especial da ONU sobre a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e de expressão, David Kaye, pediu a governos que ponham um fim “à demonização da mídia crítica”. O especialista em direitos humanos alertou que a concentração dos meios de comunicação e a dominação de veículos por autoridades estatais podem pressionar e comprometer o jornalismo independente.

Jornalistas em serviço. Foto: EBC

Jornalistas em serviço. Foto: EBC

Por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, observado na quarta-feira (3), o relator especial da ONU sobre a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e de expressão, David Kaye, pediu a governos que ponham um fim “à demonização da mídia crítica”. O especialista em direitos humanos alertou que a concentração dos meios de comunicação e a dominação de veículos por autoridades estatais podem pressionar e comprometer o jornalismo independente.

“Líderes demais veem o jornalismo como o inimigo, os repórteres como trapaceiros, os twitteiros como terroristas e os blogueiros como blasfemadores. Abusos contra a mídia praticados por governos são uma crise global”, enfatizou Kaye. “O trabalho do jornalismo como um cão-de-guarda público que vigia o governo nunca foi tão difícil, e tão importante, quanto em nossa era digital.”

O relator reconheceu que “não há dúvida de que os próprios jornalistas têm trabalho a fazer para manter ou construir a confiança dentro de suas sociedades”.

“Em algumas regiões, a natureza expansiva e descentralizada da mídia contemporânea, com sua forte dependência econômica da publicidade e da espetacularização, e o uso de ferramentas cujo propósito principal é chamar atenção para um site, tudo isso forçou os meios de comunicação a correr riscos que nem sempre valem a pena”, explicou o especialista.

Em outras áreas, disse Kaye, a imprensa livre é ameaçada pelo domínio estatal ou pela concentração dos veículos. “Jornalistas independentes têm de confrontar notícias propositalmente enganosas e são forçados a usar recursos cada vez mais escassos à correções e à garantia do acesso à informação precisa”, disse.

O especialista independente acrescentou que, no Dia Mundial, é necessário reconhecer o trabalho de jornais e editoras, mas também chamar atenção para lideranças políticas que fragilizam tanto a prática do jornalismo quanto o direito de todos a buscar, receber e transmitir informações e ideias de todos os tipos, independentemente das fronteiras e através de qualquer meio.

“Chamo os governos a tomarem medidas para proteger e promover o jornalismo independente”, convocou Kaye, que listou seis ações que podem melhorar o panorama das liberdades de imprensa em diferentes contextos.

São elas: a libertação de todos os detidos no exercício de seu direito à expressão; a suspensão de legislações que são manifestamente inconsistentes com a liberdade de expressão; a condução de investigações e a devida responsabilização dos que forem culpados por ataques a jornalistas; eliminar práticas como a solicitação da retirada do ar de conteúdo público por sites críticos; evitar a vigilância de jornalistas; e acabar com a demonização pública da mídia crítica.

Arte e informações: UNESCO

Arte e informações: UNESCO

(Acesse o cartaz acima em PDF, clicando aqui)


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