ABRAJI registra quase 70 agressões contra a imprensa durante cobertura de protestos em 15 cidades

Levantamento parcial da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo mostra violência de policiais e manifestantes. Mais de 50 profissionais foram atingidos – um ainda corre o risco de ficar cego. Veículos foram destruídos e uma redação, apedrejada. Instituição classificou casos como atos contra a democracia.

Manifestantes do Rio de Janeiro caminham pela Avenida Rio Branco, rumo à Cinelândia. Foto: Isabela Freitas/EBC

Manifestantes do Rio de Janeiro caminham pela Avenida Rio Branco, rumo à Cinelândia. Foto: Isabela Freitas/EBC

A imprensa brasileira foi agredida pelo menos 67 vezes durante a cobertura de protestos em 15 cidades durante o mês de junho. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) com informações de sindicatos, redações e da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Segundo a instituição, os dados são parciais. “Há casos que podem não ter sido computados por diversas razões, inclusive quando veículos ou jornalistas preferem não ter suas estatísticas divulgadas”, explica.

A compilação foi dividida em profissionais agredidos, veículos danificados e tentativas de depredação de redações.

relatório inclui 53 ocorrências contra 52 jornalistas – o repórter Leandro Machado, da Folha de S.Paulo, foi preso no dia 11 e agredido por policiais no dia 13. Dessas, 34 foram agressões, hostilidades ou ameaças por parte da polícia. Doze foram protagonizadas por manifestantes. Em um dos casos não foi possível identificar o agressor. Seis profissionais foram detidos ou presos – o repórter Pedro Ribeiro Nogueira, do portal Aprendiz, foi indiciado por formação de quadrilha.

O caso mais grave de agressão foi registrado contra Sérgio Silva, da Futura Press. Atingido por bala de borracha no olho, o fotógrafo tem 95% de chance de ficar cego.

A Folha de S. Paulo foi o veículo com o maior número de profissionais feridos: sete.

A Abraji também contabilizou 13 veículos de imprensa total ou parcialmente danificados, incluindo quatro incendiados em Fortaleza (TV Diário/Globo e TV Jangadeiro/Band), Rio de Janeiro (SBT) e São Paulo (Record).

Em Goiânia, o edifício da TV Serra Dourada, afiliada do SBT, foi apedrejado. Em Porto Alegre, manifestantes tentaram duas vezes depredar a sede da RBS, afiliada da Globo.

Para a Abraji, “impedir ou dificultar o trabalho da imprensa é agir contra a democracia”.


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