‘A última etapa na luta contra o ebola será a mais difícil’, afirma representante da ONU

Apesar do fim da epidemia ainda não estar próximo, as ações realizadas nos três países mais afetados já permitem a reabertura de escolas e a retomada das atividades econômicas.

Finalmente de volta às aulas, menina escreve no quadro-negro em sua escola em Conacri, Guiné. Foto: UNICEF/UNMEER Martine Perret

Finalmente de volta às aulas, menina escreve no quadro-negro em sua escola em Conacri, Guiné.
Foto: UNICEF/UNMEER Martine Perret

“A última etapa é a mais difícil. Devemos continuar no mesmo curso”, disse o o diretor de Operações do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, na semana passada ao parabenizar a eficaz mobilização da comunidade internacional na resposta global ao ebola, mas lembrando que os esforços para alcançar o marco zero de contaminações ainda não acabaram.

O número de infecções tinha baixado progressivamente até alcançar menos de 100 nos três países mais atingidos – Guiné, Libéria e Serra Leoa – pela primeira vez em sete meses. No entanto, na quinta-feira (5), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que um novo pico foi registrado na última semana.

“Apesar do enorme progresso feito, não devemos esquecer que basta um novo caso para começar um novo surto”, frisou Ging.

No entanto, o controle da doença permitiu retomar o otimismo nessas nações da África Ocidental, que reiniciaram as aulas e começam a reconstruir suas economias locais devastadas pela epidemia. Para o representante do OCHA, a crise expôs as debilidades do sistema de saúde e por isso pediu a comunidade internacional para manter seu compromisso para erradicar o vírus.

Ele também elogiou os esforços “heroicos” dos trabalhadores de saúde que além de tratar, dedicaram-se a educar as comunidades para evitar novos contágios. A repetição do mantra “detecção precoce, tratamento precoce é a chave para a sobrevivência” permitiu que muitos pacientes revertessem as cifras de mortalidade.

Apesar do sucesso da disseminação dessa mensagem, observou Ging, as campanhas de sensibilização encontraram vários obstáculos, como a baixa penetração da televisão – apenas 2% da população na Guiné possui um aparelho – e a resistência e suspeita da população, que muitas vezes geraram falsa percepção e informação e, em alguns casos, atos de violência contra os trabalhadores.