A pedido do Conselho de Segurança, Secretário-Geral da ONU avalia opções para reverter crise síria

“Devemos estar prontos para responder a vários cenários”, informou Ban Ki-moon em entrevista coletiva após reunião do Conselho de Segurança da ONU. Mais de 10 mil pessoas já morreram no levante.

A pedido do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, vai apresentar uma gama de opções para resolver a crise na Síria. “Ninguém pode prever como a situação na Síria irá evoluir. Devemos estar preparados para qualquer eventualidade; devemos estar prontos para responder a vários cenários possíveis”, informou Ban a repórteres na sede da Organização, em Nova York, na quinta-feira (7/6).

O Secretário-Geral – acompanhado pelo Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga dos Países Árabes para a crise síria, Kofi Annan, e do Secretário-Geral da Liga dos Países Árabes, Nabil Elaraby – falou à imprensa após uma reunião do Conselho de Segurança sobre a Síria. No começo do dia, os três haviam participado de uma reunião informal da Assembleia Geral sobre o mesmo tema. “Cabe aos membros do Conselho encontrarem uma causa comum. (…) Temos que entregar uma mensagem clara e inequívoca: a violência deve parar, em ambos os lados. Precisamos de uma transição pacífica que atenda às aspirações do povo sírio”, disse Ban.

O plano de paz de seis pontos apresentado em março por Kofi Annan, e aprovado pelo Conselho de Segurança, permanece no centro dos esforços para resolver a crise. Mas em vista da deterioração da situação, “mais discussões internacionais são bem-vindas”.

“Terroristas estão explorando o caos”

Observando que os assassinatos na Síria nas últimas semanas é indicativo de um padrão que pode constituir em crimes contra a humanidade, o Ban disse que os confrontos em certas áreas do país assumiram o caráter de um conflito interno, sujeito a leis humanitárias internacionais e a possíveis acusações de crimes de guerra. “Terroristas estão explorando o caos. Brutas violações dos direitos humanos estão se multiplicando”, acrescentou ele.

Ban disse que a próxima cúpula do G-20, em 18 e 19 de junho em Los Cabos, no México, será uma oportunidade para discutir a crise com mais profundidade. Durante a conferência de imprensa, Nabil Elaraby informou que a Liga dos Países Árabes tem, desde julho passado, pressionado a liderança síria no sentido de interromper a luta. “Nada aconteceu. Nós tentamos muitas coisas, incluindo o envio de observadores. Nada aconteceu de novo. Agora a situação está nas mãos das Nações Unidas”, disse o Secretário-Geral árabe.

ONU estima 10 mil mortes nos últimos 15 meses

Após o encontro de imprensa, o embaixador chinês Li Baodong, que detém a Presidência do Conselho de Segurança no mês de junho, afirmou ao mesmo grupo de jornalistas que o Conselho, composto por 15 membros, apoia as ações do Enviado Especial. “O Conselho reiterou seu total apoio aos esforços de Kofi Annan e a seu plano de paz de seis pontos e pede a plena aplicação do plano e, em particular, o cessar de toda a violência, sem demora”, afirmou Li Baodong.

A ONU estima que cerca de 10.000 pessoas, a maioria civis, foram mortas na Síria e dezenas de milhares deslocadas desde que o levante contra o presidente Bashar al-Assad começou há 15 meses.