A crise mais perigosa que enfrentamos hoje é o risco nuclear da Coreia do Norte, alerta Guterres

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Em coletiva de imprensa em NY, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou “categoricamente” os últimos testes nucleares e de mísseis realizados na Coreia do Norte, denunciando-os como “profundamente desestabilizadores da segurança regional e internacional”.

Ele também comentou a violência em Mianmar e o aumento dos eventos climáticos, responsáveis pelo deslocamento de milhões de pessoas nos últimos anos.

Secretário Geral da ONU, António Guterres, fala com jornalistas em Nova Iorque. Foto: UN Photo/Evan Schneider

Secretário Geral da ONU, António Guterres, fala com jornalistas em Nova Iorque. Foto: UN Photo/Evan Schneider

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou nesta terça-feira (5) “categoricamente” os últimos testes nucleares e de mísseis realizados na Coreia do Norte, denunciando-os como “profundamente desestabilizadores da segurança regional e internacional”.

“Mais uma vez a Coreia do Norte quebrou uma norma global contra testes nucelares”, afirmou Guterres em conversa com jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque. “Mais uma vez, a Coreia do Norte desafiou o Conselho de Segurança e a comunidade internacional. Mais uma vez, a Coreia do Norte colocou, desnecessariamente e irresponsavelmente, milhões de pessoas em risco – incluindo seus próprios cidadãos, que já sofrem com seca, fome e sérias violações de direitos humanos”, acrescentou.

O dirigente máximo da ONU reiterou seu chamado para que as autoridades norte-coreanas cumpram integralmente suas obrigações internacionais, incluindo a Resolução 2371 do Conselho de Segurança, adotada no mês passado (proibição de importação).

O secretário-geral reforçou que diálogo e comunicação são necessários para evitar incompreensão. “Retórica de confronto pode levar a consequências não intencionais. A solução precisa ser política. As consequências potenciais de uma ação militar são muito terríveis”, afirmou.

“Como secretário-geral, estou pronto para apoiar quaisquer esforços em prol de uma solução pacífica e (do) desarmamento nuclear da Península Coreana”, reforçou Guterres.

Ao ser questionado sobre os desafios globais mais presentes na Assembleia Geral – cujo debate geral ocorre neste mês – Guterres respondeu: “A crise mais perigosa que enfrentamos hoje está relacionada ao risco nucelar em relação à Coreia do Norte”.

Mudanças climáticas

Falando sobre outro tema de importância vital, Guterres disse que o mundo continua a testemunhar mudanças climáticas e expressou solidariedade com as vítimas dos devastadores eventos das últimas semanas – do Texas a Bangladesh, Índia, Nepal e Serra Leoa.

“As Nações Unidas estão prontas para apoiar esforços de ajuda de qualquer maneira possível”, afirmou, lembrando que o número de desastres naturais praticamente quadruplicou desde 1970 nos Estados Unidos, enquanto China e Índia enfrentam este aumento desde 1995.

Apenas no ano passado, 24,2 milhões de pessoas foram deslocadas por desastres inesperados – três vezes mais do que por conflito ou violência. Até mesmo antes das últimas enchentes, relatórios preliminares para 2017 mostram que já ocorreram 2.087 mortes em função de desastres naturais.

“Com a ciência prevendo um dramático aumento tanto na frequência quanto na severidade dos desastres, é tempo de uma atitude séria para o clima”, afirmou.

Mianmar

O secretário-geral da ONU também demonstrou preocupação com a violência que, desde o fim de agosto, já forçou mais de 125 mil pessoas a deixar o estado de Rakhine, em Mianmar.

“Já condenei os recentes ataques do Exército da Salvação Arakan Rohingya. Mas agora estamos recebendo constantes relatórios de violência por parte das forças de segurança de Mianmar, incluindo ataques indiscriminados”, relatou a jornalistas, manifestando preocupação com a situação de segurança e direitos humanos e humanitários em Rakhine, “que podem apenas aumentar a radicalização”.

Guterres informou que escreveu oficialmente ao Conselho de Segurança para manifestar a preocupação e propor ações para acabar com a violência. Ele pediu que a comunidade internacional ajude a prevenir a escalada da violência e busque uma solução holística, além de pedir que as autoridades de Mianmar garantam segurança e ajuda para os necessitados.


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