280 mil crianças podem perder ano letivo na República Centro-Africana, alerta UNICEF

Agência da ONU adverte que o sistema educacional da RCA está se tornando mais uma vítima do conflito que há meses ocupa o país e pede às partes segurança para pais, crianças e professores.

No vilarejo de Mélé, República Centro-Africana, somente metade das crianças vão à escola devido ao conflito. Foto: UNICEF/Pierre Holtz

No vilarejo de Mélé, República Centro-Africana, somente metade das crianças vão à escola devido ao conflito. Foto: UNICEF/Pierre Holtz

Pedindo por ações rápidas às autoridades da República Centro-Africana (RCA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) demonstrou preocupação em relação às escolas do país — fechadas há meses devido ao conflito — e aos centenas de estudantes que correm o risco de perder o ano letivo inteiro, caso a situação não se normalize.

Segundo o alerta do Fundo, pelo menos 250 mil crianças que iniciaram o ano letivo de 2012-2013 na escola primária e outras 30 mil que estavam na escola secundária no início da crise poderiam perder todo o ano escolar, caso as escolas não reabram nas próximas semanas.

A agência afirmou que há 746 mil crianças em idade escolar primária, entre 6 e 11 anos. Mais de dois terços delas frequentavam as aulas antes da crise.

“O novo governo deve priorizar a proteção e o investimento no sistema de ensino do país, a fim de respeitar e cumprir o direito básico das crianças à educação, bem como proporcionar a esta geração a esperança de um futuro melhor”, disse Souleymane Diabaté, representante do UNICEF no país, onde existem atualmente mais de 1 milhão de crianças fora da escola.

Desde que a coalizão rebelde Seleka atacou em dezembro de 2012, 1,2 milhão de pessoas estão sem acesso aos serviços essenciais e violações dos direitos humanos têm sido generalizadas, conforme os rebeldes, apesar de um acordo de paz, ganharam mais território e invadiram Bangui, a capital da RCA, no final de março.

“É preciso acabar com a matança, os saques, os ataques contra a população e proteger os civis do abuso”, disse Jeffrey Feltman, Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos das Nações Unidas à imprensa. Pelo menos 4,1 milhão de pessoas — quase a metade crianças — foram diretamente afetadas pelo conflito. Mais de 37 mil pessoas fugiram do país nos últimos quatro meses devido à violência.

Um grande obstáculo para a reabertura das escolas se dá pelo fato de muitos dos professores que fugiram de áreas afetadas pelos conflitos ainda não terem retornado às suas comunidades.

A agência da ONU está pedindo que as autoridades da RCA e todas as partes em conflito garantam o acesso seguro das crianças, pais e professores às escolas, a fim de possibilitar a sua reabertura imediata.