245 rebeldes se entregam na RD Congo, mas situação no leste do país permanece instável

Esta foi a segunda rendição este mês, após Bosco Ntaganda ter se entregue no dia 18 e ter sido encaminhado ao Tribunal Penal Internacional. Em Nova York, Ban Ki-moon discutiu a situação no país com o Ministro das Relações Exteriores.

Patrulha da MONUSCO. Foto:ONU /Sylvain Liechti

Patrulha da MONUSCO. Foto:ONU /Sylvain Liechti

Centenas de combatentes da República Democrática do Congo (RDC), que se renderam neste final de semana na cidade de Lubumbashi, foram transferidos nesta segunda-feira (25) para a capital do país, Kinshasa. Eles fazem parte do grupo armado Mayi-Mayi e foram transferidos pela Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), que também liderou a mediação do processo de rendição.

Entre os 245 combatentes, que se entregaram após um combate que deixou pelo menos 35 mortos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) identificou e separou 40 crianças para serem desmobilizadas e mandadas de volta para suas famílias.

Em um comunicado à imprensa, a MONUSCO saudou a “rendição pacífica” dos combatentes. Este mês, um líder rebelde da RDC já havia se rendido. Bosco Ntaganda se entregou na Embaixada dos Estados Unidos em Ruanda no dia 18 de março.

Ntaganda, que era procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, se apresentou pela primeira vez perante a corte em Haia, na Holanda, nesta terça-feira (26). Por enquanto, ele enfrenta um pré-julgamento que busca averiguar se as acusações contra ele — que incluem estupro, homicídio e recrutamento de crianças — procedem. O TPI definiu o dia 23 de setembro como a data inicial para a confirmação das acusações.

A situação de segurança no país ainda é bastante frágil, no entanto, e foi o tema de uma reunião nesta terça-feira (26) entre o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e o Ministro das Relações Exteriores da RDC, Raymond Tshibanda N’tungamulongo. O encontro aconteceu na sede da ONU, em Nova York, onde também foi debatida a grave situação humanitária no leste do país.

Na reunião, os dois líderes concordaram que a próxima resolução do Conselho de Segurança sobre a RDC deve fortalecer o papel da missão de paz da ONU no país e apoiar uma abordagem abrangente do Secretário-Geral para resolver as causas de instabilidade na região africana dos Grandes Lagos.

Ban Ki-moon, que também falou por telefone com o presidente da RDC, Joseph Kabila, apelou ao Conselho para autorizar o envio de uma força especial dentro da MONUSCO que teria a capacidade de realizar, com ou sem o exército nacional congolês, as operações ofensivas contra todos os grupos armados que ameaçam a paz no leste do país.