​Refugiados vivendo no Rio recebem capacitação para se tornarem empreendedores

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Lançado em maio pela Cáritas do Rio de Janeiro e em parceria com o SEBRAE-RJ, o Coletivo de Refugiados Empreendedores (CORES) oferece capacitação a refugiados para que eles consigam abrir e profissionalizar o próprio negócio. Primeira turma da iniciativa atende 18 refugiados de Angola, Colômbia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Síria, Togo e Venezuela.

Refugiados e solicitantes de refúgio recebem aulas de empreendedorismo no Rio de Janeiro. Foto: ACNUR/Marcelo Matos

Refugiados e solicitantes de refúgio recebem aulas de empreendedorismo no Rio de Janeiro. Foto: ACNUR/Marcelo Matos

Refugiada no Brasil há cinco anos, a colombiana Nelly Camacho encontrou no empreendedorismo a saída para contornar o desemprego. Apesar da experiência de 20 anos como professora em seu país, ela teve que se reinventar para ir atrás de um dos mais almejados e desafiadores objetivos dos refugiados: a independência financeira.

“Ser estrangeiro não é fácil em nenhum lugar do mundo. Muitas vezes o idioma e a falta de conhecimentos no novo país podem dificultar a nossa vida. Por isso, decidi fazer empanadas colombianas e artesanato típico do meu país para vender por conta própria”, conta Nelly.

Presença constante nas feiras gastronômicas do Rio de Janeiro, a colombiana tem alma de empreendedora, mas não domina todas habilidades que podem levar à profissionalização do seu negócio. Foi para pessoas como ela e para outros refugiados que ainda não deram o primeiro passo, mas têm perfil e talento para empreender, que nasceu o Coletivo de Refugiados Empreendedores (CORES).

Lançado em maio deste ano, o projeto é uma iniciativa da Cáritas do Rio de Janeiro — em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) do estado do Rio de Janeiro — para capacitar refugiados e solicitantes de refúgio, oferecendo uma alternativa de inserção profissional e geração de renda.

“O CORES busca valorizar os talentos e a experiência que muitas vezes eles trazem consigo para o Brasil, reconhecendo, por outro lado, que o empreendedorismo envolve um conjunto de conhecimentos que precisam ser trabalhados para que experiências bem-sucedidas sejam alcançadas”, explica Nina Quiroga, do departamento de relações institucionais da Cáritas RJ.

“Isso vale para brasileiros e estrangeiros. No caso dos refugiados, o empreendedorismo pode representar uma alternativa à difícil entrada no mercado formal de empregos”, acrescenta.

Para o refugiado sírio Anas Rjab, aluno do curso, as aulas vão contribuir para o crescimento do seu negócio de culinária árabe. “O CORES está me ajudando a desenvolver o meu projeto de bufê para eventos aqui no Brasil”, afirma, otimista. “A linguagem do curso também é fácil de entender, e isso facilita muito.”

A primeira turma do projeto atende 18 refugiados de Angola, Colômbia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Síria, Togo e Venezuela. Eles participam de um curso de formação na sede do SEBRAE-RJ.

As aulas, que serão realizadas ao longo de três meses, foram divididas em dois módulos. No primeiro, com duração de dois meses, o conteúdo abordará questões mais gerais: as características de um empreendedor; como planejar um negócio; a legislação brasileira e o funcionamento de um MEI (Microempreendedor individual); o mercado brasileiro; auxílio na organização das finanças; e a identificação dos canais de vendas. No último mês, os refugiados terão aulas específicas, de acordo com a área de atuação, que neste primeiro momento poderá ser moda ou gastronomia.

A costureira Odile Ndombasi Kumpala, da República Democrática do Congo, vê no CORES a possibilidade de conquistar o seu sonho: “Desde que cheguei, estou tentando aprender tudo o que posso para poder trabalhar com moda aqui no Rio de Janeiro. Quero ficar e construir uma vida neste país”.

A plataforma de estudos do SEBRAE RJ, adaptada para atender ao público de estrangeiros, oferece aos alunos ferramentas para o desenvolvimento de negócios por meio de exercícios em sala de aula e exemplos práticos de desafios do dia a dia.

Segundo Juliana Cristina de Oliveira, gestora do SEBRAE-RJ, o formato do curso visa “estimular o comportamento empreendedor e o empreendedorismo nos refugiados atendidos pela Cáritas RJ”. “Vamos ajudar os refugiados não só a estruturarem seus negócios, mas a se empoderarem e se verem como empreendedores que utilizam todo o conhecimento e a cultura de seus países como diferencial dos seus produtos.”

Além da parceria com o SEBRAE-RJ, o projeto também busca estabelecer diálogos com instituições públicas e privadas para a inserção de refugiados empreendedores em espaços que ofereçam oportunidades de geração de renda. No futuro, o CORES também almeja incubar os negócios desenvolvidos, em parceria com organizações e empresas relevantes do mercado.

Outra frente de atuação é o incentivo aos refugiados para que participem de feiras, debates e palestras realizados no âmbito de programas de economia criativa e empreendedorismo popular.


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